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A oração da bailarina

Oh meu DEUS! criador do maior espetáculo
O universso...
Ouve-nos nesta prece de amor...

Dai-me perseverança,Dedicação
e dignidade

Fazei com que minha vida se transforme
a cada oitava...

Que eu transforme á tua abro em movimento
que eu colha da minha dança
toda a força,Toda grandeza,luz e amor.

Fazei que as luzes dos palcos , sejam
luzes divinas a iluminar todos.

Que cada apresentação seja um ato de fé...
Que cada espetáculo seja um oferta à ti...
Para que eu envelheça na dança,

sempre Trabalhando...

Sempre Emocionando...

Sempre Glorificando...

Enfim para quando eu não mais existir
Que a minha missão aqui não tenha sido em vão
E que a minha dança continue viva.

Quando eu dançar com perfeição...
Saberei que nesse dia estarei em
tua prença...



O Sagrado na Dança do Ventre hoje

Escrito por Isis Zahara

Isis_e_CameloTerminei o workshop há pouco, com muitas idéias ao meu redor. Como sempre dou início aos meus trabalhos de dança perguntando o histórico de quem participa, é algo que me responde cada vez mais minhas questões, a respeito da Dança e das Mulheres.

Eu venho observado um número considerável delas, assim como eu... que...seja nas aulas de dança, nas ruas, no ambiente de trabalho, muitos lugares enfim, observo uma certa necessidade em procurar movimentar o corpo de alguma forma que as alivie de uma sensação de vazio, como um vaso que necessite por um pouco mais de água para estar completo.

Acho que isso não acontece apenas às mulheres, mas sinto que a inquietação quanto à realidade possui mais seguidoras do sexo feminino, se é que podemos dividir gêneros neste momento. Não gosto de falar daquilo que qualifica um ser mulher, eu não acredito nisso, eu prefiro pensar que feminilidade e masculinidade estão além da divisão biológica, como formas de subjetivação presentes dentro do homem e da mulher, ou seja, um homem pode ter feminilidade e vice e versa...

Mas, retornando à inquietação e à necessidade de dançar, revejo cada vez mais as minhas pesquisas a respeito do corpo e da mulher... essa necessidade de responder perguntas através do corpo, de buscar alguma coisa que não se sabe direito o que, ainda mais em uma sociedade tão desprovida de significados simbólicos e alheia ao mundo do sensível...que transforma toda e qualquer arte em produto, formatado, codificado com preço, desconto e liquidação...

O que fazer com a palavra Sagrado, Dança Sagrada, quando se vende um número determinado de passos e combinações por mês? E quem compra aprende a repetir os passos, e se somar o maior número de passos bem executados "aprende a dançar"?

Eu sei, a Dança do Ventre é um grande exemplo de algo que carrega resquícios sagrados, e mesmo sendo jogada nos palcos como mais um pacote de movimentos que vêm somar com o culto da performance, da execução, de tudo aquilo que é externo, eu ainda a continuo chamando, Dança Sagrada.

O palco e a academia acabam sendo o portão de entrada para todo um Universo de descobertas a respeito do Sagrado dentro corpo. É através da busca pela técnica perfeita que a mulher contemporânea se descobre enquanto indivíduo. As aulas são encontros com a história de outras mulheres, experiências multiplicadas que ligam o presente à muitas gerações do passado.

A tantos séculos, desde o tempo em que sacerdotisas dançavam nas cavernas do deserto da Arábia,mutiladas pelo exército islâmico, depois cortesãs reais, ciganas, bruxas e parteiras. Depois odaliscas profanas, e agora, estrelas de shows de auditório.

A Dança do Ventre é um fenômeno que sobrevive aos séculos, do sagrado ao profano, as mulheres a buscam, mesmo sem saber um décimo de todos os mistérios.

E se isso acontece é porque ela responde e cura muitas feridas femininas.

Isis Zahara - é antropóloga e mestre em Danças Etnicas pela Unicamp, participa da equipe de produção, gravação e edição do programa Café Filosófico da TV Cultura. Pesquisa a Dança do Ventre desde 1993

Estilo Cigano


O estilo cigano na Dança do Ventre vem de uma interpretação ampla e liberal das danças ciganas, primeiramente da Turquia, Espanha, dos Balcãs e do Egito. Acredita-se que os ciganos (também chamados de 'romanichéis') são originários do norte da Índia. Estes teriam migrado em direção norte e leste no Oriente Médio e na Europa, desenvolvendo cada vez mais o estilo original de sua dança ao acrescentarem elementos das diferentes culturas com quem tinham contato. Na década de 1960, as dançarinas americanas começaram a incorporar elementos do vestuário, da música e dos passos ciganos às suas apresentações de Dança do Ventre.

Movimentos: o estilo cigano utiliza técnicas e movimentos de dança do ventre, adicionando a eles passos ciganos e do folclore oriental. A dança cigana, aliás, é conhecida por sua paixão, exuberância e energia. As dançarinas ainda utilizam adereços como pandeiros e snujs. Já as saias, tão comuns hoje em dia na dança do ventre cigana, não eram vistas com bons olhos entre as dançarinas no passado.

Música: As canções ciganas mais "puras" e tradicionais são usadas na dança do ventre, porém são mais comuns as músicas que trazem uma mistura de elementos ciganos, turcos, árabes e europeus. Violinos, guitarras e pandeiros são alguns instrumentos bastante comuns também.

Roupas: Tecidos pesados em tons opacos são usados em saias volumosas e calças no estilo "harém"; na parte de cima, as dançarinas usam e abusam de blusas e topsdecotados e/ou com mangas também volumosas. As saias são geralmente onduladas(como no flamenco). Nos quadris, é comum o uso de xales com franjas e de cinturões de metal. Na cabeça, a dançarina ainda pode usar uma espécie de lenço ou adorno.

Nos vídeos a seguir, o primeiro traz uma curta apresentação da fusão entre a dança cigana e a dança do ventre. Já o segundo traz uma apresentação um pouco mais voltada para a fusão com o flamenco.